Ku yakissa: manifestação de resistência cotidiana dos camponeses de Mahoche frente às deficiências do Estado moçambicano na efetivação do direito à terra | Ku yakissa: a daily act of resistance by Mahoche´s peasants against the Mozambican State´s shortcomings in realising land rights
2026
Manjate, Carlos João Batista | Manjate, Carlos João Batista
Portuguese. Resumo O Estado contemporâneo é, por natureza histórica, um Estado voltado para as Políticas Públicas (Costa, 2015). Esse Estado se caracteriza por uma variedade complexa de contradições, sendo as Políticas Públicas uma das suas expressões mais marcantes. A diversidade de interesses, a distribuição desigual de poder, além da conveniência ao Estado o monopólio legítimo da violência, podem ajudar a compreender o crescimento dessas contradições. O artigo examina a prática do ku yakissa como manifestação de resistência cotidiana dos camponeses de Mahoche, às deficiências estruturais do Estado moçambicano no tocante a efetivação do direito à terra. Este artigo foi elaborado com base em uma pesquisa etnográfica realizada no bairro Mahoche, localizado no distrito da Moamba (Moçambique), como parte de um doutorado em Desenvolvimento Rural. O estudo tem como objetivo compreender como os camponeses respondem e se ajustam as transformações socioambientais provocadas pela expansão de pedreiras, que impactam diretamente no seu acesso à terra. Com recurso à teoria das práticas cotidianas (Certeau,2011; Scott,2013), se defende a necessidade de compreender as políticas públicas além da sua dimensão formal-jurídica e prestar atenção nas formas plurais de apropriação, reelaboração e ressignificação promovidas pelas comunidades camponesas, como é o caso da prática do ku yakissa em Mahoche.
Show more [+] Less [-]English. The contemporary State is, by historical nature, a State oriented towards Public Policies (Costa, 2015). This State is characterised by a complex array of contradictions, with public policies being one of its most striking expressions. The diversity of interests, the unequal distribution of power, and the convenience of the State`s legitimate monopoly on violence can help explain the growth of these contradictions. This article examines the practice of ku yakissa as a form of everyday resistance by the peasants of Mahoche against the structural shortcomings of the Mozambican State regarding the enforcement of land rights. It is based on ethnographic research carried out in the Mahoche neighbourhood in the district of Moamba (Mozambique), as part of a PhD in Rural Development. The study aims to understand how peasants respond to and adapt to the socio-environmental transformations brought about by the expansion of quarries, which directly impact rural populations' access to land. Drawing on the theory of everyday practices (Certeau,2011; Scott,2013), the article argues for the need to understand public policies beyond their formal-legal dimensions and to pay attention of the plural ways in which peasant communities appropriate, rework, and re-signify them- as exemplified by the practice of ku yakissa in Mahoche.
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