[The networks culture as alternative to environmental education] | A cultura de redes como alternativa de educação ambiental
2007
Justen, L.M.
Portugués. A formação de redes sociais revela similaridades entre este tipo de organização e a composição dos ecossistemas naturais, assemelhando-se também aos grupamentos de educação não formal, presentes nas sociedades humanas, além da família, clã, escola, igreja e outras instituições fornecedoras de proteção, abrigo, alimento, segurança e ensinamentos, atendendo às necessidades de pertencimento e participação direta em atividades de interesse comum. No decorrer da história da humanidade, os grupos humanos se constituíram em clãs e comunidades, estabelecendo relações recíprocas de ajuda mútua, proteção e defesa, visando à sobrevivência, que requisitavam o desenvolvimento da linguagem e outras formas de comunicação necessárias à troca e repasse de informações, conhecimentos e valores, implicando em processos de educação não formal e definindo identidades pessoais e grupais. Situações de interação coletiva, retratadas em pinturas rupestres, ocorreram desde os tempos mais primitivos, em reuniões em volta do fogo, dentro de cavernas, debaixo de árvores, em recantos naturais e construídos. Ao contrário das escolas formais, que surgiriam mais tarde, esses grupos se formavam de modo espontâneo, muitas vezes segundo critérios distintos de reunião de indivíduos, conforme gênero, idade e atividade desempenhada na comunidade, mas mantendo a finalidade de transmissão de conhecimentos e tradições, divulgação de notícias, intercâmbio deidéias, tecnologias e experiências vivenciadas em outros lugares. As relações estabelecidas nesses espaços se desdobravam em outras formas de comunicação, interligando-se a diferentes grupos, e assim se formavam redes de relacionamento, envolvendo indivíduos e comunidades, em que nem todos se conheciam pessoalmente, porém ampliando o alcance das relações, em ambientes próximos ou distantes, motivadas por interesses comuns. Este aspecto evidencia um fator comum entre a configuração das redes sociais e dos ecossistemas naturais: o principal motivo da ligação reside no significado das relações para os indivíduos que as compõem. O estabelecimento de relações diretas entre os seres humanos, não caracterizadas pelo formalismo e hierarquia que vigoram em outras formas de organização social, permanece forte através dos tempos, e adquiriu novas dimensões. Com o surgimento dos avanços tecnológicos e da Internet, pessoas residentes em lugares distantes interagem através dos meios informatizados de comunicação, e grupos com os mais diversos interesses formam redes virtuais para atingir objetivos comuns. No entanto, os requisitos exigidos para a sobrevivência, o desenvolvimento pessoal e a participação ativa na sociedade contemporânea extrapolam as possibilidades da maioria dos indivíduos, empenhados em luta contínua pelo acesso ao trabalho, à educação, à saúde e ao lazer, restritos a uma minoria. As características de uma civilização que se baseia no binômio produção/consumo, priorizam valores orientados por uma concepção utilitarista e corporativista de ciência e tecnologia, de vida e de mundo. A maioria das pessoas e grupos luta para atingir os padrões de consumo de bens materiais, cuja aquisição é habilmente confundida com a satisfação das necessidades afetivas e sociais pelo poder da mídia, de modo que tudo se torna objeto de compra e venda. Nesse contexto, as redes sociais continuam existindo, mas com remotas chances de ocupar espaços destacados na organização social, propiciando relações informais entre indivíduos e grupos ligados por interesses semelhantes. As oportunidades de criação e ampliação das redes foram até facilitadas pelos avanços tecnológicos, mas as idéias-força que as mobilizam têm sido deturpadas pelo modelo de desenvolvimento social, político e econômico hegemônico, responsável pela atual crise ambiental. Ainda assim, as redes, como espaços privilegiados de comunicação informal e construção coletiva de conhecimento, podem se tornar uma alternativa importante de EA, visando à efetivação de mudanças emergentes nos valores e práticas de vida contemporâneas. As possibilidades e limites desta perspectiva são comentados neste trabalho, a partir da experiência específica da Rede de Educação Ambiental do Paraná, podendo servir como referência para uma análise mais ampla do papel das redes no âmbito da EA.
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Información bibliográfica
Este registro bibliográfico ha sido proporcionado por Instituto Nacional de Investigación y Tecnología Agraria y Alimentaria